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29/12/2020 às 16h50min - Atualizada em 29/12/2020 às 16h50min

IGP-M: entenda por que a inflação do aluguel disparou em 2020

Por Pedro Machado
NCS Total
Divulgação
Nos últimos meses inquilinos têm sido surpreendidos com boletos mais salgados. Os aumentos são um reflexo da oscilação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), indicador mais utilizado para atualizar os valores de locação de imóveis. Em novembro, a popular “inflação do aluguel” avançou 3,28% sobre outubro, com alta de 24,5% em 12 meses. É justamente essa variação acumulada no período de um ano que é considerada no reajuste dos contratos. 

A escalada do IGP-M é desproporcional ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação do Brasil, que acumula variação de 4,31% nos últimos 12 meses, e também do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), principal referência para ajustes de salários de trabalhadores de vários setores. Esse descompasso diminui o poder real de compra de quem tem boletos de aluguel para pagar todo mês.

 

Coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), responsável pelo cálculo do IGP-M, André Braz, diz que esse distanciamento se deve principalmente ao câmbio. A maior parte do indicador (veja na tabela como é feito o cálculo) é composta por commoditties ligadas ao setor industrial, como minério de ferro, cobre e alumínio, e também do agronegócio, a exemplo de milho, soja e trigo. Com a desvalorização cambial, esses produtos, cotados em dólar, aumentaram muito de preço, pressionando o IGP-M para cima.

A polêmica que existe nessa história é justamente a utilização de um índice aparentemente tão distante do setor imobiliário para aplicar reajustes nos contratos. Braz diz que nunca partiu da FGV a sugestão de que o IGP-M fosse o indexador do setor.

– Não seria justo praticar um reajuste por um indicador que não está perfeitamente associado ao mercado imobiliário. Tem que ser um índice que reflita o momento da construção, do mercado imobiliário, para orientar as correções – avalia Braz. 

 

Como o IGP-M é calculado?

É formado a partir da junção (média ponderada) de outros três indicadores, cada um com um peso diferente (em parênteses) na composição do IGP-M: 

1) Índice de Preços ao Produtor Amplo (60%): monitora a variação de preços de bens agropecuários e industriais percebidos pelos produtores. 

2) Índice de Preços ao Consumidor (30%%): acompanha o comportamento de preços que impactam diretamente o consumidor final, como o varejo e serviços destinados ao consumo das famílias. 

3) Índice Nacional de Custo da Construção (10%): leva em conta a variação de preços de materiais de construção e o custo de mão de obra especializada. 


 
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