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SOMOS OU NÃO SOMOS UM POVO COM UMA BOA HISTÓRIA?

Elza Souza - Jornalista

Por Anderson Cleuber em 25/03/2021 às 14:22:40

Foto: Reprodução Internet

Colocar uma pedra em cima de tudo que passou é uma velha mania que temos. A prova é que os poucos museus de Manaus estão à míngua. Saber de onde viemos e para onde vamos não importa. Aqui a maioria não quer saber de sua história. Ainda mais a que passou. Para esses o importante é o presente, o progresso, o moderno, copiar e colar o que vem de fora. Aí então ficamos com uma identidade cultural indefinida, sem termos uma personalidade como povo que não nasceu hoje, deixando de aprender com as experiências de nossos antepassados. Dizer que somos índios para muitos é ofensa. Eu mesma já peguei uma "carraspana" por causa disso. E o que é ser um índio? Responda para você mesmo a essa indagação. Se não souber definir não é vergonha nenhuma procurar nos livros ou perguntar do professor. Compare as respostas e faça a sua própria interpretação.

Só tem um jeito de avançarmos como sociedade: aprendendo com os que, um dia, viveram por aqui. Existem registros em livros. É só procurar. Nesse espaço que chamamos planeta, que não é meu nem teu, mas é nosso e como não temos pernas e braços para tudo abarcar, cada um cuida do lugar onde nasceu, sempre aprendendo com as experiências dos mais velhos ou dos nossos ancestrais e das pessoas nascidas em lugares diferentes do nosso. Daí a importância do velho tão sabiamente respeitado pelos orientais. E nós, às vezes até os nossos velhos repudiamos: "Quem gosta de coisa velha é museu". E assim, erroneamente, deixamos velhos, índios e museus de lado.

Toda essa preleção é para falar das Lajes que despontam no Encontro das Águas e fazem parte da formação rochosa Alter do Chão com mais de 70 milhões de anos, que se espalha no leito do grande rio na região onde foi erguida a cidade de Manaus. Para os mais velhos, as Lajes fazem parte de suas mais tenras lembranças pois era um lugar de lazer das famílias manauaras. Eu mesma fui muitas vezes com meus pais e irmãos fazer piquenique por lá. Naquelas pedras escuras à beira de um cenário tão belo onde dois gigantescos rios se encontram e não se misturam, as crianças tomavam banho sem perigo de adoecer. A imensa muralha de pedra de 90 metros de altura forma um mirante natural de onde se descortina toda a majestosidade dos rios Negro e Solimões que a partir dessa união recebe o nome de Amazonas formando o maior rio do mundo em extensão e volume d"água.

Um dia, em conversa com a cientista especializada nas areias amazônicas, a italiana Elena Franzinelli me contou que o porto que ardentemente querem construir nesse lugar paradisíaco e historico podia ser construído em qualquer lugar como por exemplo em Itacoatiara desde que com boas estradas e uma infraestrutura adequada. Na verdade, nunca vi uma boa estrada no meu Estado. Conserta aqui, afloram ali mil buracos, num sinal de serviço mal feito. Franzinelli me deu uma aula e não apenas uma entrevista sobre esse planeta

Fonte: Elza Souza - Jornalista

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