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Ciência aberta, democracia e pandemia de coronavírus.

Por Anderson Cleuber em 12/04/2021 às 11:18:12

Com o avanço das tecnologias, períodos pós-guerras mundiais, publicação das informações científicas fruto de pesquisas de desenvolvimento visando à liderança e monopólio mundial entre governo americano e antiga URSS, ocorreu o nascimento da internet e da ciência da informação e novas problemáticas em torno da comunicação científica.

Com esse contexto que foi mencionado até última década do século XX, o mundo foi/é atravessado, especialmente pelo desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação, temos o surgimento do movimento hacker, do software free, mais a frente na linha do tempo, o open source. Os movimentos são pautados na liberdade de acesso e modificação do conhecimento ou de qualquer outro produto fruto da intelectualidade humana.

O movimento de abertura, que aqui já era o gérmen da ciência aberta, exerce um papel fundamental no exercício da cidadania dos indivíduos sociais, na valorização do conhecimento que emana do local e na popularização das ciências para que possa minimizar problemas locais, contribuindo para processo educacional do sujeito, para acesso livre a ciências, aos dados, as técnicas, liberdade de acesso aos laboratórios de pesquisa, possibilitando a construção do imaginário científico do país e permitindo a mobilização social e participação da população nas políticas públicas de Ciência Tecnologia &Inovação (CT&I).

O movimento de ciência aberta ganha repercussão principalmente pelo desenvolvimento do ciberespaço, da rede e da internet, deve ser observado como um movimento social que advoga pela liberdade de acesso, de modificação e redistribuição de produtos da intelectualidade humana e que deve ser visto como mobilizador de forças antagônicas, de um lado mecanismos e entidades de propriedade intelectual e o outro lado são forças sociais que defendem o acesso à informação e conhecimento para emancipação, educação e formação da cidadania, progresso da ciência e de transparência.

Uma ciência aberta contribui muito mais rápido para a sociedade, o melhor exemplo é a pandemia de coronavírus, que mundialmente só consegui avanços e repostas rápidas à questão epidemiológica e sanitária mundial com acesso livre, que seria mais demorado em caso de assinatura de revistas científicas ou base de dados. Quando se tem bases dados livres, revistas científicas livres, repositórios de conhecimento aberto, se tem também uma comunidade científica que pode acessar conteúdo científico sem barreiras tarifarias e que de forma mais rápida e ampla pode dar um retorno à situação que atualmente vivemos.

Isso contribui para desenvolvimento um ambiente colaborativo, o melhor caso é a sequenciamento genético do Sars-Cov-2 quando ocorreu o primeiro caso no Brasil, que se deu entre instituições de pesquisa brasileira e universidade e centro de pesquisa de Oxford.

A ciência não deve ser desenvolvida isolada e dentro de estruturas frias da propriedade intelectual, mas antes de tudo, deve avançar para melhorar e garantir assistência à população, formação de cientistas e melhora da educação. É direito da população que a ciência seja uma ciência aberta e transparente, em especial modo quando financiada com recursos do governo é direito.

Pensar no enraizamento de uma ciência aberta, não necessariamente relacionada às tecnologias, mas aberta socialmente, é fundamental num momento delicado e negacionismo que vivemos em relação à ciência/pesquisa científica, a pandemia e fabricação de vacinas. Pensar numa ciência aberta tanto tecnologicamente como socialmente e afastar a sociedade de tempos obscuros e sombrios.

Indicação de leitura:

ALBAGLI, S.; MACIEL, M. L.; ABDO, A. H. Ciência aberta, questões abertas. Brasília: IBICT, 2015.

Luiz Fernando Correia de Almeida.
Bacharel em Biblioteconomia
Mestre em Educação,
Ambos pela Universidade Federal do Amazonas.

Fonte: Luiz Fernando Correia de Almeida

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